segunda-feira, 20 de agosto de 2018

domingo, 19 de agosto de 2018

sábado, 18 de agosto de 2018

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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

terça-feira, 14 de agosto de 2018

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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

terça-feira, 7 de agosto de 2018

domingo, 5 de agosto de 2018

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O apanhador de desperdícios - Manoel de Barros

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Aniversário Adson, meu irmão.

O único companheiro que temos em casa dividindo todo o aprendizado de uma educação é ou são nossos irmãos. É o irmão que está ali vivendo e aprendendo com o mesmo pai, mãe e que conhece as estranhezas e lindezas da família. Há quem tem problemas com irmãos, no meu caso dei sorte, dividi a minha infância, juventude e a maturidade com meu irmão. Somos completamente diferentes de personalidade e de escolhas na vida, porém nossos corações são unidos em um lugar muito parecido. Quando foi necessário unir forças para estar ao lado de nossos pais, no fim da vida deles, estivemos unidos e depois o amor que se construiu durante a vida, resplandece em nossa maturidade. Muito feliz de ter você ao meu lado. Feliz aniversário meu irmão, que a vida te trate bem sempre, amo você.

Denise Portes

terça-feira, 31 de julho de 2018

Saindo de casa em 1977.

Com quinze anos eu achava que era o meio do caminho, quanta adolescência, pureza e confusão de pensamentos! Entre as montanhas da minha cidade mineira o horizonte era o céu que de tão perto da terra me fazia sonhar com outros lugares. O Rio de Janeiro era longe e enorme para o tamanho dos meus sonhos, mas eu acreditava no que sonhava. Pai e mãe nem sabiam de tantos desejos, eu era uma menina criada no interior entre as flores, pureza, fazenda, animais, bicicleta, vários amigos, o céu estava sempre em festa e não poderia existir infância mais bonita. Nenhum problema só amor de família e amigos. Os namorados mais lindos, o cinema pequeno com sua tela enorme, a televisão, preto e branco com papéis coloridos na frente. Os livros, o desejo de ser dentista e a alma de poeta foi rasgando meus caminhos até que a chegada de um irmão mais novo transformou as atenções da minha mãe extremamente amorosa e ansiosa que não percebeu que a adolescência mudou meu olhar para aquele lugar que eu ocupava. Sozinha em minhas transformações, tudo mudava cotidianamente dentro e fora de mim, comecei a pensar um jeito de colocar a mochila nas costas e seguir para o Rio de Janeiro. Não me deixaram ir, meu pai que morou três anos no Rio achava impossível que as minhas asas voassem para tão distante e o máximo que consegui foi Juiz de Fora em uma república onde morava uma prima ajuizada, Katita. E assim foi feito, lá estava eu numa cidade média, perdida, sem amigos, sem pais ou irmãos e nem pensava que era corajosa, eu só me joguei e daí pra frente à vida foi escrita por minhas escolhas e a ajuda de um anjo da guarda que nunca me abandonou.
A culpa de estar distante da família e crescer tão longe dos meus pais só bateu a minha porta muitos anos depois. A admiração pela coragem que tive também demorou a chegar, não existia medo, apenas determinação. Ainda tive que viver um ano em Niterói para chegar à cidade, que naquela época sim era maravilhosa. Fiz por todos esses anos uma rede de amigos e posso dizer que tenho sorte, encontrei muitas pessoas boas pelo caminho.
A minha cidade pequena cresceu e não tem mais a ternura e o glamour de uma cidade do interior e o enorme relógio da praça parece que diminuiu, não existe mais o cinema, nem o Pilão, o importante restaurante da época. Os amigos que fiz por lá, eu reencontrei muitos queridos nas redes sócias. Alguns amigos amados morreram, outros parecem que o tempo não passou. Como é linda e cruel a vida. A igreja, o clube, a casa dos meus pais e nem mesmo os meus pais estão mais lá, mas um pedaço do meu coração se eternizou ali é como um reflexo condicionado. Todas as vezes que eu corto as montanhas da minha antiga cidade e o céu vai se aproximando da terra todos os melhores sentimentos crescem dentro de mim. 

Denise Portes

Estrela do Mar - Marino Pinto.

Um pequenino grão de areia
Que era um eterno sonhador 
Olhando o céu viu uma estrela 
Imaginou coisas de amor 
Passaram anos, muitos anos 
Ela no céu, ele no mar 
Dizem que nunca o pobrezinho 
Pode com ela se encontrar.

Se houve ou se não houve
Alguma coisa entre eles dois
Ninguém soube até hoje explicar
O que há de verdade
É que depois, muito depois
Apareceu a estrela do mar.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dica

“Levanta a cabeça, Fé! A vida é como o ciclo das marés. Maré baixa, maré alta...é assim pra todo mundo”.

domingo, 29 de julho de 2018

sexta-feira, 27 de julho de 2018

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Insight

Impressionante o ciclo da vida, caminhasse cinquenta anos para descobrir o que estava ali do seu lado. Tudo não passa de paz, saúde e amor e mais nada. 

Denise Portes

quarta-feira, 25 de julho de 2018

A voz da alma.

Andei longe do meu blog, não foi por falta de interesse e nem o troquei por outros meios de comunicação, apenas fui me afastando das palavras e elas foram se desorganizando em mim. Não fiquei sem escrever, até porque morro se isso acontecer. 
Fui me perdendo de mim, das minhas coisas e na vasta extensão do meu país interior, tudo permaneceu velado pelo nevoeiro das minhas inquietações. Construí frases, textos para personagens e pequenos toques de pensamentos me ocorreram, porém desisti de olhar para dentro, fiquei desatenta dos meus passos. 
Não foi um passo de mágica que me fez retornar a velha casa do meu blog, foram tantos os acontecimentos, devaneios, perdas profundas de entes queridos e desligamento de pessoas próximas, que somente agora, engatinhando na organização interna da minha alma, quem sabe eu consigo entrar novamente neste lugar? Entendi que era preciso estar mais próxima de Deus, das forças do universo e das conexões com o divino que existe dentro de mim. A arte não acontece sozinha, ela vem da sensibilidade de estar conectada com os mistérios da fé. Escrever, pintar, atuar, esculpir e todas as outras formas de arte são linguagens da alma. Talvez por isso a palavra calma, tenha alma dentro dela. Pois é preciso estar calmo, atento e forte para que o sopro da divina criação volte a iluminar e conduzir a alma. 

Denise Portes

terça-feira, 24 de julho de 2018

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Malhação "Vidas Brasileiras"

Hoje o dia foi dela Júlia Portes.

domingo, 22 de julho de 2018

sábado, 21 de julho de 2018

sexta-feira, 20 de julho de 2018

quinta-feira, 19 de julho de 2018

quarta-feira, 18 de julho de 2018

terça-feira, 17 de julho de 2018

segunda-feira, 16 de julho de 2018

domingo, 15 de julho de 2018

Texto Júlia Portes

Aí você tá dentro do metrô 
É um dia relativamente bom
Nada de ruim aconteceu e isso já é um excelente acontecimento 
Sua estima está relativamente elevada
Você está se achando bonita e acreditando que está tudo bem ser o que se é, saber o que se sabe e estar onde se está 
Porém é domingo e acabou de passar das 18:00
esse horário goteja uma certa depressão 
Pensamentos sobre coisas que quase foram boas ou lembranças de um último rompimento com um amigo importante
No meio desses acontecimentos- pensamentos toca aquela música que te acalma
No estilo "é pau é pedra é o fim do caminho"
A mulher na sua frente fica te olhando e você não sabe se ela repara em alguma coisa, se está se lembrando de alguém enquanto te olha ou apenas não tem pra onde ela olhar, afinal você tá na frente dela
Você sai do metrô
Vê a placa escrito "saída" com uma seta ao lado e é tocado pelas sensações dessa imagem- palavra
Pela potência metafórica dessa junção "Saída https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f9e/1/16/27a1.png
"
Ando rápido sem ter razão, o compromisso do dia já acabou. 
Estou condicionada a pressa
Fico com raiva das pessoas da escada rolante que ficam paradas do lado esquerdo
Existem dois tipos de pessoas: as que param do lado esquerdo da escada rolante e as que não param do lado esquerdo da escada rolante, feito para quem quer ser ainda mais rápido
.... 
Agora já faz uma semana que eu escrevi a palavra " esquerdo" e em 2018 muita coisa acontece em uma semana 
Você fica feliz, triste, saudosa, revoltada, revoltada, revoltada, nostálgica, grata, empática, odiosa, vazia, extasiada, revoltada, revoltada, limitada, transbordante, apaixonada, curada, com dor de estômago, sem dor de estômago, com dor de cabeça, sem dor de cabeça, toma entre 7 e 14 banhos..
O mundo acontece dentro e fora da gente
Agora, tô na frente de um desenho de um leão que eu acabei de fazer, me perguntando " por que um leão ?", nem é meu signo.
O Leão me encara e a reflexão do dia é que todas as críticas são medos de quem critica de se afetar pela coisa ou pessoa que está criticando, afinal lidar com afetos pode ser muito dolorido..
Dolorido - colorido - dolorido - colorido - dolor
Quais são os desejos possíveis de satisfazer apenas com a imaginação?

Júlia Portes

sexta-feira, 13 de julho de 2018

quinta-feira, 12 de julho de 2018

quarta-feira, 11 de julho de 2018

terça-feira, 10 de julho de 2018

segunda-feira, 9 de julho de 2018

domingo, 8 de julho de 2018


As manhãs acalmam, tardes são longas, noites reflexivas e as madrugadas encantadoras.

sábado, 7 de julho de 2018

sexta-feira, 6 de julho de 2018

quinta-feira, 5 de julho de 2018

quarta-feira, 4 de julho de 2018

terça-feira, 3 de julho de 2018

segunda-feira, 2 de julho de 2018

domingo, 1 de julho de 2018

sábado, 30 de junho de 2018

sexta-feira, 29 de junho de 2018

quinta-feira, 28 de junho de 2018

quarta-feira, 27 de junho de 2018

terça-feira, 26 de junho de 2018

segunda-feira, 25 de junho de 2018

domingo, 24 de junho de 2018

sábado, 23 de junho de 2018

sexta-feira, 22 de junho de 2018

quinta-feira, 21 de junho de 2018

quarta-feira, 20 de junho de 2018

terça-feira, 19 de junho de 2018

segunda-feira, 18 de junho de 2018

domingo, 17 de junho de 2018

Texto Júlia Portes

Eu tô sentada em um sofá que não é da minha casa e tem um quadro de montanhas na minha frente, eu as vejo, as outras pessoas não sei.
Me transporto pra dentro do quadro e sinto o vento batendo no rosto, o gramado e as mãos dadas com outras mãos.
Uma festa acontece ao meu redor e eu abro aquele livro que você me deu de presente, você não comprou pra mim, mas indicou e livro bem indicado é presente grande.
Eu li 111 vezes assim como você disse que seria, e agora tá inteirinho sublinhado.
Quando a gente sublinha todas as palavras a importância se perde ou se multiplica?
Abro numa página qualquer 
Todas as pessoas tem o mistério do quadro de Monalisa. Essa é a frase anotada.
Tem tanta gente ao meu redor agora e a música é boa, as palavras tocam instrumentos e me dá vontade de ler um texto no meio da festa. 
Seria inconveniente - ou bonito. Eu devia arriscar.
O pensamento divaga.
Me lembro da briga que tive na terça 
Da conversa que me levou pra fora do tempo-espaço com um amigo que entrou coincidentemente, ou não, no mesmo ônibus. 
Do texto recebido às 2h da manhã que revirou a semana, o mês, o ano 
De como aquela menina de 15 anos escreve como se tivesse 55.
Da vontade de ser terra fértil 
Da alegria de encontrar tantas terras férteis 
De achar a Copa uó
Das mensagens que vou receber amanhã 
Dos trabalhos da semana
Da vontade de ter um tabaco apertado entre os dedos agora
Da vontade que você estivesse aqui agora
Do aprendizado que é você não estar
Da alegria que é estar sozinha e tão bem acompanhada por mim
Do vazio que eu raramente consigo preencher
Da sensação que é buscar
Dos reencontros da vida
Sofro uma ruptura pela música novavelha que começa: " vou mostrando como sou e vou sendo como posso, jogando meu corpo no mundo..."
Um amigo passa a mão no meu cabelo
Fico feliz que ele esteja longo, estou sentindo como se fossem fios-raízes
A materialização de metáforas 
A festa continua
Re-olho o quadro
Pintar mais e nos pendurar mais por aí 
Quero te dar um quadro de presente.

Júlia Portes

sábado, 16 de junho de 2018

sexta-feira, 15 de junho de 2018

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Texto Júlia Portes


Eu tô sentada do lado de uma mulher de cachecol verde no ônibus.
Ela tá olhando fixamente para um cronômetro e eu não imagino nada que possa ser cronometrado naquele momento. 
Ver o tempo passando ainda me parece angustiante.
Nesse ônibus tem muita gente em pé e eu tô sentada, o que mais uma vez me faz olhar para meus privilégios e para como a quantidade de seres humanos pode transformar tudo num grande inferno.
Eu tô perto dessa mulher, mas de verdade é como se eu tivesse a um passo de mim. É difícil se entregar a si mesmo quando as estruturas te ensinaram a se abandonar.
Se entregar ao outro é ir de encontro a si? Ou antes de me deparar comigo preciso achar que me perdi?
Abro o livro, sempre fico na dúvida entre ler o livro ou olhar as pessoas. 
Tem um senhor tentando ver o que eu tô escrevendo e eu torço pra que ele leia essa frase, apenas por irônia, pois eu adoro esse tipo de intromissão.
É um livro que eu parei de ler há um tempo e agora voltei.
Tem páginas que precisamos de meses pra digerir.
Encontro uma anotação que fiz da última vez que li :
Não contara que encontrar fosse esse grande desencontro.
E depois:
Dar um sentido depressa é sempre se prender ao já vivido?
O senhor parou de tentar ler o que eu escrevo, talvez ele tenha lido o que eu escrevi ali em cima e esteja inibido, talvez ele nunca tenha tentado e isso seja paranoia. A mulher do cachecol verde parou de cronometrar.
Ainda bem. 
Meu dedo lateja por causa de um corte que fiz ontem picando cebola.
Lembro que devo prestar mais atenção nos objetos, ando tropeçando muito. 
Paro de escrever pra ouvir a conversa do lado.

Júlia Portes

quarta-feira, 13 de junho de 2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

segunda-feira, 11 de junho de 2018

domingo, 10 de junho de 2018

sábado, 9 de junho de 2018

sexta-feira, 8 de junho de 2018

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Oração ao tempo – Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo


Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que eu te digo
Tempo tempo tempo tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício

Tempo tempo tempo tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo
 Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo
 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Das partes dificéis.



Difícil na vida é nos mantermos próximos ao que somos verdadeiramente.

Denise Portes