Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
domingo, 21 de fevereiro de 2016
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Música - Eu vou te esquecer
Vou te esquecer
Vou te arrancar da alma
Tão perfeitamente
Que nem a falta ficará no seu lugar
Vou te cortar da memória
Tão precisamente
Nenhuma cicatriz eu vou deixar
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Para dor de garganta palavras.
Eu sinto a dor na garganta, localizei direitinho
todos os gritos e sentimentos escondidos e não colocados pra fora. Não me dói o
peito, mas já não consigo engolir nada que precisa ser dito. Bendita seja a
idade que nos mostra o nosso valor no mundo.
Denise Portes
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
O apanhador de desperdícios - Manoel de Barros
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Crítica
O lado bom da crítica repetida e repetida e repetida
é que você acostuma com ela. Vira balela. Se expor é um lance sacana. Quase uma
auto sabotagem. No início parece que falta peça na engrenagem, mais aos poucos
você percebe até vantagem e rola solto na bobagem.
Be Lins
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Ai, ai...
Tem dias que a saudade invade e entra pelas frestas
das portas e janelas, acende a luz do banheiro, sai pela água do chuveiro.
Esses dias tudo me faz lembrar você, o vivido e o não vivido.
É tanta coisa que mexe tanta história guardada, que já tem poeira no porta - retrato da primeira foto revelada. Como a dor das torções que curou, mas lateja em dias frios. É aquela dor aguda, que dói mesmo quando você não esbarra, nem fala e nem pensa mais. Como flashback quando uma música toca, ou o reflexo condicionado de alguns momentos. A dor lateja naquele lugar construído, naquele amor doído que já foi remexido e agora parece virar poeira e se transformar em saudade.
É tanta coisa que mexe tanta história guardada, que já tem poeira no porta - retrato da primeira foto revelada. Como a dor das torções que curou, mas lateja em dias frios. É aquela dor aguda, que dói mesmo quando você não esbarra, nem fala e nem pensa mais. Como flashback quando uma música toca, ou o reflexo condicionado de alguns momentos. A dor lateja naquele lugar construído, naquele amor doído que já foi remexido e agora parece virar poeira e se transformar em saudade.
Denise Portes
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Alma de artista.
Eu escrevo porque nasci assim, com essa quantidade
de palavras, com esse desejo imenso de traduzir emoção em poesia. Passei toda a
vida entre cadernos, livros e lápis de cor, eu misturei a minha alma com
tintas, telas, barulho da máquina de escrever do meu pai e da máquina de
costura da minha mãe, ao fundo um rádio tocava MPB. As letras das canções e
suas melodias fazem parte de uma trajetória com fundo musical.
Denise Portes
Eu lia as minhas redações e poesias, para meus
amigos e o diário que arrastei por anos para a melhor amiga.
Era um tempo em que existia mais o altruísmo, ou será a infância que é um tempo mais solidário? Creio eu que éramos mais na torcida um pelo outro, mas até hoje, muitos e muitos anos depois, ainda tenho estes mesmos amigos que juntos me dizem: Você já conseguiu o que você sonhou.
Eu venho tentando me encontrar neste coração de artista que grita em meu peito.
Era um tempo em que existia mais o altruísmo, ou será a infância que é um tempo mais solidário? Creio eu que éramos mais na torcida um pelo outro, mas até hoje, muitos e muitos anos depois, ainda tenho estes mesmos amigos que juntos me dizem: Você já conseguiu o que você sonhou.
Eu venho tentando me encontrar neste coração de artista que grita em meu peito.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
A Noite - Tiê
Palavras não bastam, não dá pra entender.
E esse medo que cresce e não para
É uma história que se complicou
E eu sei bem o porquê.
Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços?
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você
E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão.
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão
Pro tanto que eu te queria o perto nunca bastava
E essa proximidade não dava
Me perdi no que era real e no que eu inventei
Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer.
E te dedico uma linda história confessa
Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você
Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor.
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou
E quando chega a noite, e eu não consigo dormir.
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão.
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Um jeito.
Eu vivo de realidade e alimento sonhos, todos os
dias.
Não gosto de ficar compartilhando realidade. É o meu jeito de corpo não precisa ninguém me acompanhar.
Denise Portes
Não gosto de ficar compartilhando realidade. É o meu jeito de corpo não precisa ninguém me acompanhar.
Denise Portes
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Força interior.
Não adianta querer segurar o meu anjo,
a minha força
eu trago de uma vida toda.
Denise Portes
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Voando
Porque existe
você. E você é imenso
Porque
existo eu. E eu sou mínima.
Porque
existia um NÓS. E os nós, às vezes, nos largam à sós.
É que
existe a vida. E a vida é assim. Porque existe o fim.
Be Lins
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Pela estrada a fora.
A mágoa, ciúmes, inveja, são capas de veludo vinho
que não nos deixa enxergar nada. O tempo cura tantas feridas, mas as do coração
ficam lá, levam a transformações tão profundas que cicatrizes ficam ali mudando
o rumo das nossas escolhas.
Denise Portes
Denise Portes
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