sábado, 13 de fevereiro de 2016

Um jeito.

Eu vivo de realidade e alimento sonhos, todos os dias.   
Não gosto de ficar compartilhando realidade. É o meu jeito de corpo não precisa ninguém me acompanhar. 

Denise Portes

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Força interior.

Não adianta querer segurar o meu anjo, 
a minha força eu trago de uma vida toda. 

Denise Portes

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Depressão


A depressão é o silêncio que não para de gritar. 

Denise Portes

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Voando

Porque existe você. E você é imenso
Porque existo eu. E eu sou mínima.
Porque existia um NÓS. E os nós, às vezes, nos largam à sós.
É que existe a vida. E a vida é assim. Porque existe o fim.

Be Lins

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Pela estrada a fora.

A mágoa, ciúmes, inveja, são capas de veludo vinho que não nos deixa enxergar nada. O tempo cura tantas feridas, mas as do coração ficam lá, levam a transformações tão profundas que cicatrizes ficam ali mudando o rumo das nossas escolhas. 

Denise Portes

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

ATRAÇÃO E REPULSÃO - ADELINO FONTOURA

Eu nada mais sonhava nem queria
Que de ti não viesse, ou não falasse;
E como a ti te amei, que alguém te amasse,
Coisa incrível até me parecia.

Uma estrela mais lúcida eu não via
Que nesta vida os passos me guiasse,
E tinha fé, cuidando que encontrasse,
Após tanta amargura, uma alegria.

Mas tão cedo extinguiste este risonho,
Este encantado e deleitoso engano,
Que o bem que achar supus, já não suponho.
Vejo, enfim, que és um peito desumano;
Se fui até junto a ti de sonho em sonho,
Voltei de desengano em desengano.
                                                                Adelino Fontoura

Poema preferido do meu vovô Albucacys.



O Tédio
Heinrich Heine

- Eu venho aqui, doutor, fazer-vos uma consulta.
A doença que me punge e esteriliza a mocidade e o espírito,
resulta de uma chaga que nunca cicatriza.
Muito embora comum a toda gente, a dor que sofro,
- atroz hipocondria! - tanto me torna pensativo e doente
que já não sei mais o que é paz nem alegria.

Sendo o mais sábio clínico do mundo,
sois também um filósofo notável.
Do peito humano auscultador profundo,
curareis este mal imensurável,
que me esmaga o organismo fibra a fibra,
que me corroí o cérebro e o condensa. 

Eu tenho um coração que já não vibra,
suporto uma cabeça que não pensa.
E este tédio mortal, tédio agoureiro,
que me consome e me escurece os dias,
é como os beijos dados a dinheiro
numa noite de orgias.

- O amigo tem razão, padece realmente.
Contudo, a enfermidade que o devora
é o produto fatal do século de agora.
Podes curá-la, creia apenas num momento.
O tédio é uma sombria, uma fatal loucura.
É a sombra anterior da longa noite escura,
onde se esquece tudo: a sorte, a vida ousada.

Só se lembra um ser, só se lembra um nada.
Diga-me: alguma vez amou? Nunca estrugiu em seu peito,
como as ondas do mar que rugem e se encapelam
ao soturno rumor do vento e da procela?
Junto, bem junto ao seu, que de dores se junca,
bateu um coração apaixonado?

- Nunca!
- Pois então amigo, procure a agitação constante!
Vá visitar a Grécia, o Oriente, a Terra Santa.
São sítios onde tudo se evoca e se decanta
as glórias de uma idade imorredoura e eterna,
que maravilha e deslumbra a geração moderna.

- Em híbridos prazeres passei a mocidade.
Percorri viajando o mundo e a humanidade
como o judeu da lenda.
Entre as mulheres todas cujos lábios beijei
em bacanais e bodas,
mulher nenhuma eu vi sobre a terra tamanha,
que para mim  não fosse uma visão estranha.

Como parti, voltei. Sem achar lenitivo
para este mal, doutor, que assim me traz cativo.
- Frequente o circo, amigo. A figura brejeira
do famoso Arlequim que a esta cidade inteira
palmas e aclamações constantemente arranca,
talvez lhe restitua a gargalhada franca!

- Vejo agora, doutor, que o meu caso é perdido.
O truão de quem falais, o palhaço querido
que anda no Coliseu tão aclamado,
tem um riso de morte, um riso mascarado
que encobre a dor sem fim do tédio e do cansaço.
Sou eu, doutor, sou eu este palhaço!

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Mais poesia.

Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
 

Manoel de Barros

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Poema.

Tentei descobrir na alma alguma coisa mais profunda do que não saber nada sobre as coisas profundas.
Consegui não descobrir. 

Manoel de Barros